Wenceslau
José de Sousa de Moraes
nasceu na Travessa da Cruz do Torel, em Lisboa, em 30 de Maio de
1854.
Após ter
frequentado a Escola Naval serviu a bordo de diversos navios da Marinha
de Guerra Portuguesa. Em 1885 viaja pela primeira vez até Macau, onde se estabelece. Foi imediato da capitania do
Porto de Macau e professor do respectivo liceu desde a sua fundação em
1894. Durante a sua estadia em Macau casou com Vong-Io-Chan (Atchan),
mulher chinesa de quem teve dois filhos, e estabeleceu laços de amizade
com Camilo Pessanha.
Entretanto, em 1889, viajara até ao
Japão, país
que o encanta, e onde regressará várias vezes nos anos que se seguem
no exercício das suas funções. Em 1897 visita o Japão, na companhia
do Governador de Macau, sendo recebido pelo Imperador Meiji. No ano
seguinte abandona Atchan e os seus dois filhos, e muda-se
definitivamente para o Japão, como cônsul em Kobe.
Aí
a sua vida é marcada pela sua actividade literária e jornalística,
pelas suas relações amorosas com duas japonesas (Ó-Yoné Fukumoto e
Ko-Haru) e pela sua crescente "japonisação".
Durante
os trinta anos que se seguiram Wenceslau de Moraes tormou-se a grande
fonte de informação portuguesa sobre o Oriente, partilhando as suas
experiências íntimas do quotidiano japonês com os seus leitores
Portugueses, numa actividade paralela à de Lafcadio Hearn, o grande
divulgador da cultura nipónica no mundo anglo-saxão, de quem foi
contemporâneo.
Amargurado
com a morte, por doença, de Ó-Yoné, Wenceslau de Moraes renunciou ao
seu cargo consular e mudou-se para Tokushima, terra natal daquela.
Aí viveu com Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que viria também a falecer
por doença.
Aí
o seu quotidiano tornou-se crescentemente idêntico
ao dos japoneses, embora tendo como pano de fundo uma crescente
hostilidade destes. Cada
vez mais solitário, e com a saúde minada, Wenceslau de Moraes viria a
falecer, em Tokushima, a 1 de Julho de 1929.